quinta-feira, 2 de maio de 2013

Alemanha: transição ou revolução energética?

País que decidiu abandonar energia nuclear em 2022 quer se livrar de combustíveis fósseis até 2050 

IMAGEM: Claire Laffargue (Le Journal des Énergies Renouvelables No 214, Março-Abril 2013)

Consenso político, participação ativa dos cidadãos, investimentos... ingredientes que mudaram a paisagem energética do país mais rico da Europa.

Mais de 25% da população alemã já vive em regiões “100% energia renovável”! Participam de um novo desenvolvimento econômico, impelido pela “força” do sol, da biomassa e dos ventos. E respiram um ar mais puro nas cidades.

Quarto maior PIB do mundo, a Alemanha produz 23% de sua eletricidade com fontes limpas. Resultado de um amplo programa nacional – o “Energiekoncept” (Conceito Energético) – que visa uma redução gradual do consumo de energias fósseis até 2050. 

O programa, aprovado pelo governo alemão em 2010, tem várias metas “ambiciosas”; por exemplo, até 2020: 18% de fontes renováveis no consumo final de energia (60% até 2050), 47% de eletricidade limpa (80% até 2050) e, em relação a 1990, reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 40% (até 2050, redução de 80 a 95%). 

Com 13 distritos e 29 mil habitantes, Wörrstadt é a primeira comunidade da Alemanha abastecida com 100% de eletricidade limpa, meta alcançada 5 anos antes do previsto (foto). 

Wörrstadt (Alemanha): 1ª comunidade de distritos “100% energia renovável”
http://www.juwi.fr/juwi_dans_le_monde/nos_realisations/collectivite_100_enr.html

Enquanto no mundo as emissões de gás carbônico cresceram 40% entre 1990 e 2010, no país germânico a quantidade de CO2 despejado na atmosfera diminuiu 25,5% nos últimos 22 anos. 

Atualmente (2012), 23% da eletricidade alemã são de origem renovável; a maior participação é da eólica, com 1/3 do total, seguida pela biomassa (26,5%), energia solar (21%) e hidráulica (15%). 

A participação de fontes renováveis na produção de energia elétrica deverá praticamente dobrar até 2020 (em relação ao final de 2012), passando de 136,2 TWh (tera-watt-hora) para 278 TWh. 

Em 2020, a energia eólica deve responder por 50% da matriz elétrica renovável alemã; solar fotovoltaica e biomassa devem contribuir com o mesmo peso (~19%), hidráulica com 11% e geotérmica menos de 1% (figura). 

Produção de energia elétrica com fontes renováveis na Alemanha entre 2000 e 2012 e projeção até 2020.
Adaptado de Le Journal des Énergies Renouvelables, No 214, Março-Abril 2013

No final de 2012, a Alemanha acumulou uma capacidade fotovoltaica de 32,4 GWp (giga-watt-pico), o que representa 18 vezes a capacidade de geração eólica brasileira. 

Só no ano passado foram agregados à matriz elétrica alemã 7,6 GWp, ou duas vezes toda a capacidade de geração solar da França. Quase 5% da eletricidade produzida no país são de origem solar, o que equivale ao consumo de 8 milhões de residências. 

O setor de energias renováveis é responsável por 381.600 empregos diretos e indiretos, duas vezes mais trabalhadores que no setor de energias convencionais (combustíveis fósseis, nuclear). 

“É provavelmente o maior desafio que o país enfrenta desde a guerra, porque a transição energética concerne o conjunto das atividades industriais e econômicas da Alemanha”, declara Peter Altmaier, ministro de Meio Ambiente. 

Uma “transição energética” que bem poderia se chamar “revolução energética”. 

Fonte: Le Journal des Énergies Renouvelables, No 214, Março-Abril 2013

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